A Prova de Morte - By Klaus Hasten
Não há diretor que consiga explorar tão bem e de forma tão completa a arte de fazer cinema como Quentin Tarantino. Em seu “novo velho” filme, “A Prova de Morte” (disponibilizado nos cinemas brasileiros com três anos de atraso), Tarantino realiza uma grande homenagem ao cinema dos anos 70, aqueles de salas escondidas em becos escuros, com cheiro de sexo, mijo e muita empolgação, é o cinema “hardcore” das sessões Grindhouse.
Com uma edição que para os mais desinformados pode parecer desleixada por acaso, Tarantino nos transporta para o universo que fez dele um dos maiores ícones do cinema atual. São filmes de baixo orçamento, regados a diálogos forçados e que beira o trash em suas situações inconcebíveis, mas causa a satisfação impagável de ver algo realmente “cool”.
A história, que se passa entre o Texas e o próprio Tenesse (estado de origem do cineasta), explora a perversão, a impulsividade, e, como não podia faltar em qualquer filme de Quentin, a imprevisibilidade. “Dublê Mike”, personagem feito sob medida para Kurt Russel, é um loner, uma espécie de Eastwood que passa de cidade em cidade atrás de algo que lhe desperte algum interesse, a adrenalina que é o combustível do homem que faz do ato de sentar no seu Chevy Nova, a unificação entre homem-máquina.
Aos poucos, seu interesse em grupos de garotas faz transparecer que dentro da cicatriz que cobre seu rosto, há um psicopata, obcecado em provar para os outros um poder artificial que esconde uma provável impotência social e sexual. A cada palavra, a cada batida do seu carro envenenado, Tarantino demonstra um conhecimento vasto sobre o psicológico humano, cujo aprendizado peculiar teve lugar em salas de cinema, com professores como Leone, Allen e Kubrick.
Desde o início, é possível observar as marcas registradas das próprias obsessões do diretor. Pés, muitos pés, de todos os tipos, em vários closes e cortes (com o perdão do trocadilho), além de menções a filmes anteriores e diálogos carregados do melhor do Blaxplotation dos anos 70, valendo até aquela virada de pescoço afro-americana, afinal, de acordo com o diretor Spike Lee, Tarantino se acha de fato um “negro honorário”.
E não basta o estilo de Kurt Russel, Rosário Dawson, Eli Roth e do próprio Tarantino em cena, o filme fala por si, e fala alto. A trilha, escolhida a dedo é um personagem tão importante quanto os outros, mostrando o prazer de Tarantino dos jukeboxes e do estilo old school. Ele segue adiante, e usando Russel como porta voz, mostra que não se vende ao CGI e as novas tecnologias, provando ser de fato, um cineasta de raiz.
“A Prova de Morte” é de fato um filme que consegue extrair de uma sinopse fraca, elementos que farão brotar sorrisos nos rostos de cinéfilos. São diálogos longos e cotidianos que fogem a regra da cartilha hollywoodiana e consegue instigar o público pela simplicidade e ao mesmo tempo complexidade do que é dito, essa é a tendência do cinema de hoje, o cinema “homenagem”, que só caras realmente apaixonados como Tarantino, conseguem traduzir em cenas.
Nota: 4 ESTRELAS
Com uma edição que para os mais desinformados pode parecer desleixada por acaso, Tarantino nos transporta para o universo que fez dele um dos maiores ícones do cinema atual. São filmes de baixo orçamento, regados a diálogos forçados e que beira o trash em suas situações inconcebíveis, mas causa a satisfação impagável de ver algo realmente “cool”.
A história, que se passa entre o Texas e o próprio Tenesse (estado de origem do cineasta), explora a perversão, a impulsividade, e, como não podia faltar em qualquer filme de Quentin, a imprevisibilidade. “Dublê Mike”, personagem feito sob medida para Kurt Russel, é um loner, uma espécie de Eastwood que passa de cidade em cidade atrás de algo que lhe desperte algum interesse, a adrenalina que é o combustível do homem que faz do ato de sentar no seu Chevy Nova, a unificação entre homem-máquina.
Aos poucos, seu interesse em grupos de garotas faz transparecer que dentro da cicatriz que cobre seu rosto, há um psicopata, obcecado em provar para os outros um poder artificial que esconde uma provável impotência social e sexual. A cada palavra, a cada batida do seu carro envenenado, Tarantino demonstra um conhecimento vasto sobre o psicológico humano, cujo aprendizado peculiar teve lugar em salas de cinema, com professores como Leone, Allen e Kubrick.
Desde o início, é possível observar as marcas registradas das próprias obsessões do diretor. Pés, muitos pés, de todos os tipos, em vários closes e cortes (com o perdão do trocadilho), além de menções a filmes anteriores e diálogos carregados do melhor do Blaxplotation dos anos 70, valendo até aquela virada de pescoço afro-americana, afinal, de acordo com o diretor Spike Lee, Tarantino se acha de fato um “negro honorário”.
E não basta o estilo de Kurt Russel, Rosário Dawson, Eli Roth e do próprio Tarantino em cena, o filme fala por si, e fala alto. A trilha, escolhida a dedo é um personagem tão importante quanto os outros, mostrando o prazer de Tarantino dos jukeboxes e do estilo old school. Ele segue adiante, e usando Russel como porta voz, mostra que não se vende ao CGI e as novas tecnologias, provando ser de fato, um cineasta de raiz.
“A Prova de Morte” é de fato um filme que consegue extrair de uma sinopse fraca, elementos que farão brotar sorrisos nos rostos de cinéfilos. São diálogos longos e cotidianos que fogem a regra da cartilha hollywoodiana e consegue instigar o público pela simplicidade e ao mesmo tempo complexidade do que é dito, essa é a tendência do cinema de hoje, o cinema “homenagem”, que só caras realmente apaixonados como Tarantino, conseguem traduzir em cenas.
Nota: 4 ESTRELAS

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1 Comments:
Parabéns, meu caro. Belo texto. É aquilo que você disse: Tarantino transpira cinema, e nas mãos dele uma sinopse fraca - não roteiro fraco, absolutamente -, vira uma série de bem sucedidadas experimentações cinemáticas, extraindo da casualidade de diálogos avulsos e de carros envenenados, os melhores elementos que o cinema oferece. Encantador, mas acima de tudo elementar, meu caro Wattson.
ps: cenas antológicas nesse filme. O primeiro acidente de carro, toda a sequência final - IMPECAVELMENTE BEM FEITA -, e É CLARO, com MUITO louvor, a lap dance da Butterfly.
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