O Fantástico Sr. Raposo – By Klaus Hasten.

Que filmes de animação já deixaram a conotação de infantis há muito tempo, (quase) todo mundo sabe. A ferramenta dos diversos tipos de animação seja 3D, stop- motion ou o velho lápis herdado dos tempos da Branca de Neve introduzem uma espécie de magia a história, colaborando com o enredo e abrindo um leque de inúmeras possibilidades. Wes Anderson, detentor de um estilo original e excêntrico, usa essa velha arma para bombardear o público e o estereotipo criado pela cartilha da Disney, que diz como se “deve” fazer uma animação de sucesso.
Assim como Tim Burton, Anderson procura buscar profundidade onde outrora foi considerado seco, “escavando” em uma história basicamente infantil e ultrapassando limites com pergunta: “Se eu fosse a raposa dessa história, como me sentiria?” e se essa raposa tivesse a elegante voz de George Clooney e esse conto tivesse o apoio de um incrível elenco digno dos maiores dramas da década passada? E assim foi recontado o conto de Roald Dahl, sob a peculiar lente de Wes.
A simples história de uma raposa que desafia o poder de três empresas, respectivamente produtoras de frangos, perus congelados e uma bebida alcoólica feita de maçã, se transforma em um conflito interno de um indivíduo que vê sua essência, seus instintos, se perderem com o tempo e busca a liberdade de um verdadeiro animal faminto em busca de saciar sua fome de grandeza.
Contando uma história de sentimentos delicados, como inveja, fraqueza e obsessão, o tom de humor seco das comédias-dramáticas de Anderson nunca sai de foco da tela. Na sua fuga do turbilhão de acontecimentos, das conseqüências dos seus erros inapagáveis, Foxy parte também em uma jornada de autoconhecimento em meio do lado “humano” e dos seus verdadeiros sentimentos animalescos, descobrindo que nada supera a verdadeira descoberta do seu próprio ser.
Preferindo o stop-motion (usado previamente em filmes como “O Estranho Mundo de Jack” de Burton e “A fuga das Galinhas”) Anderson tenta recriar cenários reais, com olhares reais, o que dá uma idéia de sentimento muito forte em cada um dos personagens, mesmo preferindo deixar de lado o efeito “blur”, que dá idéia de continuidade do movimento, forma de mostrar que o importante é a própria história sendo contada e que ele realmente não precisa agradar ninguém com seu estilo bem forte.
Com uma câmera calma, sempre com preferência a movimentos de lado para o outro, de cima para baixo, atrelada a uma trilha calma e divertida que se transforma em um personagem próprio ao acompanhar os freios de Anderson para falas banais do dia-a-dia, provando sua veia humorística sem necessidade de apelações. Um filme cheio de significados e que faz escola ao acompanhar a irreverente história contada pelos olhos de um verdadeiro artista, que ao encontrar o pote no fim do arco-íris, sabe que o movimento da vida é um super-mercado cheio de departamentos e escolhas para serem feitas.
Um braço estendido para todos aqueles que se aventurarem na sua própria jornada \o
Nota: 8,0

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