domingo, março 28, 2010

O Livro de Eli - By Klaus Hasten


O Livro de Eli, filme que se junta no hall dos melhores filmes pós-apocalípticos da nossa era, é um exemplo de como um filme de corpo blockbuster, com todos os recursos que Zack Snider teve para filmar 300, com todo universo novo criado para contar uma história superficialmente simples, pode ter uma essência “cult”.
Um roteiro original que conta a trajetória do andarilho Eli (Denzel Washington) em um mundo onde elementos simples como higiene, educação e água são quase inexistentes e sentimentos como compaixão e honra se perdem, transformando os homens em animais. Dentro desse lamentável mundo novo, temos os mais antigos, aqueles que viveram antes dos 30 verões do pós-guerra, aqueles que guardam a essência do que é humanidade, são homens do futuro, que vivem presos em um tempo que não lhes pertence.
E é nesse futuro que homens assim como Carnagie (interpretado pelo excelente Gary Oldman) se destacam, tornando-se líder entre os bichos ao criar todo um sistema ditatorial, um déspota das cavernas, que procura em um livro, o futuro de uma sociedade controlada inteiramente por ele.
A história contém elementos extremamente simbólicos e é extremamente amplo ao mostrar um pouco de cada uma das mazelas da nossa sociedade atual, mesmo que de forma representativa. É um ambiente trágico, quase monocromático, que evidencia aqueles que estão em contraste com o local, aqueles que não buscam apenas a sobrevivência em um lugar onde a própria vida não vale a pena, mas aqueles que rumam em alguma direção, em constante movimento, contra o conformismo que pregam aqueles que não sabem interpretar a própria vida, e por conseqüência o livro que pode mudar tudo.
O antagonismo entre Eli e Carnagie é logo revelado ao mostrar que o primeiro possui o livro desejado, e assim se inicia a caçada de gato e rato, que com o passar dos tempos, é provado através da metáfora do início do filme que sim, o rato pode comer o gato, e o homem comum não deve nada ao poder imposto pelo Governo. O tal livro que dá nome ao longa, é a chave não só para a “libertação” dos dois homens, um que procura seu destino através do guia que o ajuda nessa terra dura e o outro que busca respostas para o destaque, para a necessidade de manipulação que outrora já foi usado como propósito ao livro, a Bíblia.
Tudo isso não quer dizer que seja mais um filme que usa a religião como proposta original, muito menos que seja um filme de “ação gospel”, o que se trata aqui é de Humanidade, aquela que resta em cada indivíduo, aquela que “move montanhas” e ao mesmo tempo continua representando o futuro da sociedade. O filme é consciente ao mostrar o poder de manipulação da “palavra de deus” e é feliz ao retratá-lo apenas no grau de metáfora, sendo o próprio filme uma, ao revelar que a fé no homem e em nós mesmos deve ser a nossa verdadeira religião.

Nota: 8,7