Nosso Lar - By Klaus Hasten.
O filme inicia com um tom forte e com fôlego de contar a história de como André chegou no mundo dos espíritos, intercalado com flashbacks bem costurados. Nesse mesmo plano, encontramos o que seria uma das maiores barreiras do filme de atingir a qualidade estimada, os atores e sua preparação. Tanto os figurantes quanto alguns atores principais enfrentam problemas a dialogar com a mídia cinematográfica, jogando a esmo uma interpretação e postural teatral em momentos inadequados, transformando o drama sutil em algo exagerado e o medo em algo constrangedoramente ridículo.
Apesar disso, é possível observar momentos carregados de drama de qualidade. Há um quê de poesia em alguns diálogos, na idéia de ter a chance de reflexão em relação a vida. São pontos muito positivos, principalmente quando o roteiro consegue ultrapassar o didatismo que arrasta pelo filme ao apresentar uma sociedade completamente burocrática e hierárquica como ideal de plano espiritual.
No entanto, notamos um cuidado especial em relação a fotografia e aos movimentos de câmera. São enquadramentos precisos, porém diga-se de passagem, um tanto quanto exagerados. A trilha sonora no entanto é a pedra preciosa do longa, tornando um pouco mais prazerosa a experiência de acompanha a história. O compositor Philip Glass, conhecido pela sua trilha em Kudum (Scorcese, 1997), consegue acertar a mão no tom, diferentemente dos figurantes que compõem a orquestra fictícia da cidade, que claramente mostram que estão tocando algo totalmente diferente do que ouvimos, erro grave.
O filme tenta dialogar com o psicológico humano, com suas reações em relação a morte, seus medos, seus desejos. A escolha de um ator pouco conhecido para protagonizar é compreensível para contribuir para a veracidade que a história tenta passar, mas acaba se tornando um caminho tolo a medida que vai trazendo diversos outros problemas. Renato Prieto se mostra eficaz em suas feições, porém acaba se perdendo no texto com suas entonações mal elaboradas e sua postura demasiadamente teatral.
Com uma esfera que beira a ficção-científica, “Nosso Lar” é um filme quase experimental, onde se tenta de tudo um pouco, da comicidade, do drama e até um pouco do terror, mas é mal sucedido ao querer abraçar tudo. Ainda bem que o roteirista pode culpar a história pelos erros no percurso, pois ai fica difícil apontar o dedo para o lugar certo, o do “espírito” que escrevera a obra.
2 Estrelas
2 Estrelas

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