A Origem - By Klaus Hasten
Ultimamente, nas salas de cinema, temos visto diversos filmes baseados em livros, histórias em quadrinhos e até jogos. “A Origem” não se encaixa em nenhuma dessas categorias, justamente por ser um filme vindo diretamente do subconsciente do ser humano, mas precisamente do subconsciente do diretor Christopher Nolan, que nos brinda com sua criatividade em um filme que antes de tudo, fala dos sentimentos mais profundos das pessoas.
A trama do filme, cuja complexidade afasta aqueles passageiros de cinema que buscam por simples entretenimento, fala sobre um homem, ou melhor, um grupo de pessoas, que aprenderam a se infiltrar na mente humana, capazes de encontrar os segredos mais obscuros ou até mesmo de plantar idéias no canto mais profundo do subconsciente.
De uma forma bem orgânica, Nolan vai aos poucos plantando na mente do espectador a idéia do sistema de penetração de sonhos, até o ponto que fique extremamente plausível tal mecanismo. O fato de não ser necessário perda de tempo com possíveis explicações pseudo-científicas para tal fenômeno acrescenta pontos a trama, deixando-a mais leve e colocando em evidência que o propósito do longa (simplesmente catalogado como “ficção científica”) é ir além do que é exposto, com metáforas felizes e inteligentes.
Dom Cobb (Leonardo Dicaprio) é o “ladrão de sonhos”, contratado por um empresário para infiltrar na mente de um rico herdeiro uma idéia. Ao desenrolar da fita, percebemos que a cada camada de sonho passada pela equipe de Dom, podemos também descascar os próprios personagens, revelando aos poucos a essência de cada um. Suas qualidades, defeitos e principalmente, seus traumas, são armas ou obstáculos essenciais para o funcionamento do trabalho, cada fator, claro, disfarçados em uma roupagem representativa.
A proposta da trama vai mais além, é afundar o espectador em uma experiência extra-sensorial, é emergir em cada um o conflito entre sonho e realidade. A direção que mescla com extrema naturalidade as cenas de ação intensas com o drama, a essência do roteiro, é o que torna tão palpável a experiência de assistir “A Origem”. Quando tais qualidades são associadas com a trilha forte e pesada de Hans Zimmer, fica difícil não se pegar no meio do filme tão envolvido a ponto de se esquecer que tudo se passa em uma sessão de cinema.
Tantos elementos gráficos, tantos personagens e sub-tramas atrapalham a percepção da grande maioria dos espectadores de notar a simplicidade do filme. Com o tempo, a própria identificação com os dilemas dos personagens nos ensina a chave da interpretação do roteiro de Nolan. A obsessão aqui é mais do que um elemento, é uma barreira, personificada pela bela Marion Cotillard (Piaf – Um hino ao amor) trazendo aos sonhos de Cobb toda a angustia de um passado difícil.
Ao término do filme, quando as luzes se acendem e os créditos aparecem, é difícil distinguir os objetos a nossa volta, as pessoas, a sala de cinema, tudo parece irreal após um mergulho tão intenso na mente de grandes personagens, e de uma certa forma, na nossa própria mente. E é Christopher Nolan que realiza tal “grande truque”, nos deixando perplexos com sua forma mágica de fazer cinema.
5 Estrelas


3 Comments:
o filme pra mim foi algo tão surreal que não tiveram palavras para comentar a experiencia que eu passei naquela sessão.
Vi tanto o trailer do filme que já tinha decorado algumas falas. Sem palavras para o que Christopher Nolan conseguiu fazer.
Boa Crítica Klaus.
Achei Inception o melhor filme de Nolan, e o segundo - por pouco - melhor do ano (atrás apenas de Ilha do Medo).
Como você comentou, o filme tem um clímax deveras extenso, na verdade defendo que o ele tem 4 climaces de 4 histórias diferentes. Isso não é pra qualquer um.
Belo texto!
ps: Não sei o que é, mas Marion Cotillard tem O DOM de me fazer chorar.
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