sábado, setembro 12, 2009

Up – by Klaus Hasten.



Uma hora ou outra é inevitável a constatação de que estamos mudando, pior, estamos envelhecendo. Desculpe se me expressei mal ou meu comentário pareceu pejorativo, não, não, muito pelo contrário, quero deixar bem claro como gosto de ver o envelhecer dos componentes do mundo como um bom vinho. A Pixar, fruto seguro dos longos ramos da indústria mágica da Disney, mostra seu envelhecimento com uma história peculiar, e por que não arriscada, de um velho senhor em uma busca além das fronteiras de suas primas animações comerciais.
A idéia do filme sobre o velho baloeiro Carl Frederickson, cujo tom nostálgico e até melancólico traz um diferencial a película, fez tremer a cabeça e os bolsos dos acionistas da Pixar. Pete Docter, creditado pelo seu sucesso em Monstros S.A, fez acontecer e nos trouxe a até então melhor obra das dez já produzidas pela Pixar, conhecida pelo seu talento de nos deliciar com as mais criativas animações. Uma história linda e com elementos fortes e profundos, sem deixar de lado cenas de ações dignas dos Incríveis (2005), uma pitada de surrealismo a lá Toy Story (1995) e provando que os filmes podem sim ser para todos sem perder sua essência, “Todos podem cozinhar!” diz o chefe Gusteau do delicioso Ratatouille (2007).
E com milhares de balões presos à sua casa, balões preenchidos de sonhos aprisionados em um pote durante décadas marcadas de tristezas, companheirismo e afeto, Carl prova que nunca é tarde para buscar a felicidade. Homem conservador no sentido de valorizar os bons costumes e seu passado em forma de pequenas relíquias, Carl encontra no garoto Russel, antes um obstáculo entre ele e seu objetivo, um elemento importante para sua visível transformação durante o filme. E a reciprocidade é verdadeira, à medida que Carl começa a esvaziar o peso da tristeza que o “aleijava”, Russel, cuja curta idade não deixa de permitir algumas faltas na vida, começa a amadurecer com a figura paterna que surgiu no seu pequeno mundo.
E o que há de se esperar de um homem tão sofrido que carrega todo o peso de sua própria casa a tira-colo em busca de uma aventura? “O importante da viagem não é o destino, e sim o passeio” elemento-chave que nos recorda Carros (2006) e dá a consciência ao personagem que separa por uma linha tênue um senhor em busca de vida, de um velho obcecado por um passado inglorioso e que faz de tudo para alcançar suas metas. É um brinde a vida! Uma forma gloriosa de ser sutilmente risível, mas ao mesmo tempo tocar na emoção do expectador, deixando aqueles mais atentos pasmos com as pequenas metáforas que passam quase despercebidas e ávidos pelas próximas aventuras desse Zeppelin movido a criatividade que é a Pixar.

Nota: 9,5

1 Comments:

Blogger CaioMuniz said...

menino, vc tá escrevendo cada vez MELHOR!! ADOREI a crítica, concordo com cada linha. Tenho muito orgulho em ser teu amigo, Klaus. Rapaz, alguma revista (ou site) de cinema tem que descobrir você!! Comece a mandar seus textos a torto e a direito por aí. Abração!! CAIO MUNIZ

sex. set. 18, 04:22:00 PM 2009  

Postar um comentário

<< Home