Jogos Mortais VII - Por Klaus Hasten.
Vamos combinar? Chegou um ponto na franquia de Jogos Mortais que os bons apreciadores da sétima arte só se dão o trabalho de assistir os filmes da cine-série esperando pelo final embalado por uma das trilhas mais reconhecíveis dos últimos anos.
Tudo começou com uma idéia extremamente inteligente e uma trama magistralmente trabalhada. Um homem decide testar a vontade das pessoas de viver, em jogos sádicos, porém com o único objetivo de ensiná-las a valorizar suas próprias vidas. Cada jogo simboliza nas suas próprias regras os erros cometidos pelas “vitimas”, colocando em xeque a própria integridade da nossa sociedade com criticas de uma pessoa cansada do que vê.
As coisas iam bem, até a Lions Gate perceber o quanto lucrativo os filmes do “assassino Jigsaw” estavam sendo, e, infelizmente, decidir prolongar até onde pôde. O resultado disso? Os jogos iam perdendo um pouco do seus significados, o sangue preenchia o lugar das palavras e das metáforas dos primeiros, abrindo espaço pros fãs dos filmes gores que entravam pela porta da frente enquanto os críticos mais analíticos corriam para a saída.
Nesta sétima e última (?) edição, Jigsaw (Tobin Bell) continua morto, deixando para o seu seguidor Mark Hoffman (Costas Mandylor) todo o trabalho de sua vida. Ao sobreviver do atentado de Jill Tucker, Mark monta um plano extremamente bem elaborado para conseguir alcançar sua vingança. Em paralelo, como nas 5 últimas seqüências, ocorre um jogo específico que demanda boa parte do tempo em cena, e que, inevitavelmente, será dispensável pra os eventos da septologia como um todo.
As atuações são bem desequilibradas. De um lado, temos a péssima Betsy Russel e vários, vários semi-figurantes que ficam totalmente perdidos, por outro temos o bom Costas Mandylor e o excelente Tobin Bell, que infelizmente tem nesse filme uma das suas menores participações.
A direção, que sofreu várias trocas durante a série, agora fica a cargo de Kevin Greutet, que aposta nos métodos de filmagens já peculiares a franquia, as câmeras rápidas e o velho tremelique que intensifica a agonia nas seqüências dos jogos. Mas alguns pontos interessantes nos últimos foram deixados de lado, como as criativas passagens de cena, que perderam a vida na mão de um diretor que se focou mais em buscar quadros que seriam abusivos na terceira dimensão. Tal ferramenta que inclusive se mostrou inútil a série, provando ser apenas mais uma forma de explorar dinheiro dos espectadores.
O roteiro busca boa parte do tempo trazer informações dos filmes anteriores e felizmente alcança um desfecho a altura dos melhores da série. Consegue ser tão fraco e insosso como os últimos dois porém consegue trabalhar bem com informações novas e surpresas. A mensagem, digerida pelas pessoas há 6 filmes, consegue ter novas faces, mas continua bem clara: “Valorize sua vida”.
Por fim, Jogos Mortais deixará saudade aos fãs, que religiosamente acompanham em todos os Halloweens suas seqüências, e alivio aos críticos, que com razão, acreditam no fato de ser desnecessário o prolongamento da série. O melhor é lembrar das grandes cenas, os choques, as surpresas e valorizar a série que colocou no Hall dos melhores vilões, o sombrio e sábio Jigsaw. Game Over.
3 Estrelas


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