The Runaways – Por Klaus Hasten.
1975 – A banda de rock, “The Runaways” é formada. Não, 1975 não foi só isso, foi um marco de descobertas, inseguranças e mudanças na vida das cinco integrantes que se tornaram hit entre os jovens da década de 70. Este filme trata especificamente de duas das componentes, Cherie Curie (Dakota Fanning) e Joan Jett (Kristen Stewart).
A diretora Fiora Sigismondi pode ser novata no ramo cinematográfico, mas usa sua experiência com vídeo-clipes e fotografia para preencher de significados todo o percurso de seu primeiro longa. São movimentos precisos e quadros extremamente cuidadosos. Aqui, a posição da câmera define os personagens e é imprescindível para o aprofundamento dos mesmo, como a cerca que vista de cima funciona como uma linha tênue entre Joan Jett no início de sua carreira e duas latas de lixo.
Por sinal, o aprofundamento inicial dos personagens é o verdadeiro brilho do filme. Cherie Curie, comparada com Bridget Bardot e Marilyn Monroe aqui, no fundo, não passa de uma garota confusa. A fragilidade e volatilidade da personagem é medida pela câmera em grandes quadros, como a cena em que ela, em movimentos suaves e infantis, patina com os pés na parede, no centro de duas possibilidades, e a medida que seu passo diminui é possível notar a decisão eminente que tomará.
A atuação aqui é coadjuvante, temos a instável Dakota Fanning, que se perde diversas vezes em seu primeiro papel “adulto”, não sabendo dialogar com o que se passa em cena ou com o que a câmera quer mostrar. Apesar disso, seus traços de boa atriz ainda são demonstrados em certos momentos, com seus olhares profundos e alguns diálogos bem sucedidos.
O filme procura se centralizar mais em Cherie Curie e seus conflitos em relação ao lar e a vida incomum de rock star, algo que com o passar do tempo se mostra uma armadilha já que é notável que boa parte das outras subtramas são ofuscadas pelo “brilho” excessivo que Sigismondi joga em cima de Dakota Fanning. O que se perde nessa tendência que se inicia do meio pro final do longa é a excelente atuação de Kristen Stewart e o decréscimo de sua participação.
Depois de mostrar seu potencial em “Na Natureza Selvagem”, Stewart teve seu talento menosprezado na série “Crepúsculo”, onde vive a protagonista. Em “The Runaways”, Kristen vive uma verdadeira apaixonada pela vida e pelo Rock, uma personagem difícil de ser encorporada pelo seu temperamento paradoxal, mas extremamente bem conduzido por uma atuação no mínimo memorável.
“The Runaways” começa apostando em uma abordagem mais sutil, comparado com similares como “Johnny e June” e “Coração Louco”, buscando não superestimar acontecimentos ou cansar o público por vezes insistindo na mesma tecla. A direção é precisa o suficiente para deixar os sentimentos extraídos rolarem sem precisar forçar, a imagem conseguiu vencer a tentação de usar mil palavras.
Fiora Sigimondi consegue extrair de um roteiro mediano um filme que excede as expectativas. A escolha da diretora foi fundamental, trazendo cores e vida ao filme. No fim, “The Runaways” é uma grande homenagem ao Rock, sendo em sua essência um grande vídeo-clipe, regado a bastante suor, drogas e estrógeno.
Nota: 4 Estrelas.


1 Comments:
Ótima crítica, comentários perspicazes sobre a relação forma-conteúdo. Faço uma ressalva a um erro de português (pode ter sido a digitação) que em nada tira o brilho do seu texto. No entanto, é bom corrigir. Quando você diz " a decisão eminente que tomará...", vc deveria escrever "iminente" que quer dizer que algo está prestes a acontecer. "Eminente" refere-se a pessoa que tem cargo importante (Vossa Eminência).
Há um vício de linguagem que poderia ser evitado em um texto tão brilhante como o seu: o uso do "mesmo" para não repetir um termo. Exemplo, nesse mesmo texto:"a posição da câmera define os personagens e é imprescindível para o aprofundamento dos mesmos".Você poderia simplesmente dizer "para o aprofundamento deles".
Espero que vc não se chateie com minhas observações, pois são positivas. Se vc vier a escrever em alguma publicação, embora haja revisores, o ideal é que o texto não contenha erros. O importante vc já tem: talento. Seu português tb é ótimo, os erros são mínimos. Um beijo, Tia Quel.
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