O Concerto - Por Klaus Hasten.
Existem certos filmes, que por mais que os maiores especialistas ou donos de locadoras se esforcem em classificar em um gênero, não conseguiriam com sucesso. “O Concerto” é um grande exemplo de como as vezes a grandiosidade de um filme esta simplesmente atrelada a sua despretensão de querer se encaixar em algo previamente estabelecido.
O diretor romeno Radu Mihaileanu se despe totalmente de quaisquer rótulos ao conseguir mesclar drama e comédia com total maestria, pegando suas convergências e traçando uma história natural e harmônica. Andrei (Aleksei Gustov) é um homem frustrado por ter perdido seu trabalho como maestro na companhia Bolshoi, na Rússia, e vive o resto de seus dias medíocres sonhando a conclusão do espetáculo que nunca pode terminar.
Destinado a varrer o chão daqueles que o substituiu, ex-alcolatra e desiludido com a vida, Andrei pega com todas as suas forças a oportunidade de uma apresentação em Paris, onde poderia de uma vez restaurar seu nome como grande maestro. O problema dessa oportunidade é justamente o pontapé que faz as engrenagens do filme rodarem: Ele não tem orquestra disponível, o que o obriga a sair pelas ruas de Moscou a procura de talentos dos cantos mais inusitados.
O que seria a alma do filme, acaba tendo uma atenção inferior ao que merecia, e toda a beleza de terem reunidos músicos espontâneos e inesperados, com histórias diferentes e até loucas é folheado com muita rapidez, sem a calma necessária. Os 55 integrantes da orquestra são não só escolhidos na pressa (como o personagem precisa) mas suas participações são reservados a alguns poucos momentos cômicos, deixando (quase) toda a carga dramática para o próprio protagonista.
Partindo de uma premissa simples e até um certo ponto um tanto desgastada, o diretor assume a responsabilidade de dar o seu tom a história, parecendo não se importar com as possíveis armadilhas e clichês que estariam em seu caminho. Radu Mihaileanu extrai de todo seu lado poeta a beleza que quer imprimir na película e combinando com a trilha forte e arrepiante de Tchaikovski.
O filme se mantém com uma boa direção, um ótimo roteiro, mas o que realmente excede as expectativas são as intensas atuações, com destaque merecido para Aleksei Gustov e a francesa Melanie Laurent, interprete da personagem Anne-Marie, peça chave para o desfecho brilhante da história. Talvez tenha sido meio difícil encontrar o tom certo do filme, mas, assim como as musicas de Tchaikovski, o longa prova que as vezes a harmonia acontece por si só, basta sentir.
4 Estrelas


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