Besouro Verde - Por Klaus Hasten.
Algumas histórias são tão belas que reverberam pela eternidade, instigando os roteiristas e diretores a atualizarem tais obras, como uma forma de refrescar e homenagear ao mesmo tempo. Em alguns (poucos) casos, a arte do “remake” chega a superar seu original, dependendo do cuidado e preocupação que se tenha com a história, algo que Tim Burton alcançou na sua belíssima versão de “A Fantástica Fábrica de Chocolate” (2005).
Não é preciso ter conhecimento de que Seth Rogen e Evan Goldberg são os roteiristas responsáveis por “Besouro Verde” (2011) para notar as semelhanças com outras obras da dupla conhecida por seus projetos produzidos por Judd Apatow (Ligeiramente Grávidos, Superbad...). Aliados a direção do francês Michel Gondry (aclamado por “Brilho Eterno de uma Mente sem lembranças”) o resultado é um filme que se mantém apoiado nas séries de rádio e TV do mesmo personagem, sendo por si só um filme fraco.
A história de origem do “super”-herói que completa quase oitenta anos de existência é a base para trama. O herdeiro milionário, Britt Reid (Seth Rogen, o próprio) perde o pai e se sente compelido a fazer justiça com as próprias mãos. E assim nasce o “Besouro Verde”, que junto ao seu parceiro Kato (Jay Chou), invade as ruas de Los Angeles com muito estilo.
E de fato não falta estilo no longa, com um visual elegante e cores bem aproveitadas, o problema maior do filme é o seu próprio conteúdo, que acaba se perdendo entre tantas transições de gêneros. Ao começar pela forma pobre e superficial de apresentação dos personagens, com destaque para as diversas fases do amadurecimento de Britt Reid que, por pressa ou descaso, acabam sendo mal desenvolvidas. No fim, o que importa aqui é ação, velocidade, e aquilo que vem se tornando o câncer do cinema atual: O uso da câmera exclusivamente para o destaque do efeito 3D.
Christopher Waltz, ganhador do Oscar de Melhor ator coadjuvante em 2010, é Chudnofsky, um vilão com crise de identidade, e, por não entender seu próprio papel de vilão, passa o filme discutindo sua metodologia criminal em cenas fantásticas, em destaque para o seu dialogo inicial com James Franco.É um momento em que a industria do cinema pára e analisa o que tem feito com seus vilões, que cada vez mais estão se tornando fracos e apagados. Pura metalinguagem!
Infelizmente, ao analisar “Besouro Verde”, a cada ponto positivo que encontramos, dois negativos se mostram. Seth Rogen é, atualmente, um dos atores de comédia mais inspirados, mas a cada fala e expressão é possível perceber que o uniforme preto e verde não lhe cabe, o tornando uma espécie de “protagonista-alívio-cômico”, sem a força suficiente para manter o fio da trama. “Besouro Verde” é o caso típico de um filme que não sabe se deve ser levado a sério ou não, uma indecisão que só faz afastar mais o público cinematográfico que vem se tornado cada vez mais crítico.
Nota: 2 Estrelas


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