127 Horas - Por Klaus Hasten.
O homem é o único ser vivo que tem consciência de que, em sua estrada, tudo leva para o único e irremediável fim: A morte. Mesmo assim luta, chora, ri, se diverte e vive em busca daquela peça fundamental que completa de vez a gama dos instintos humanos fundamentais: A sobrevivência. O diretor e roteirista Danny Boyle usa a história de Aron Ralston como uma metonímia dessa idéia universal, dando ao filme quase monólogo essa expressão abrangente.
O que torna “127 Horas” um filme fora dos padrões do “survival movie” comum, é a forma como a harmonia do roteiro e direção brinca com o espectador, o levando nas horas certas a sentir o que lhe é servido. Se temos uma abertura positivista, com excesso de cortes e recheado de uma edição experimental com tom de documentário esportista “maneiro”, é porque Danny Boyle sabe que tudo isso só aumentaria o peso da queda do fone de ouvido que tirava Ralston da realidade do mundo. Uma queda tão forte quanto a da pedra que o prenderia em um dos cantos mais obscuros do mundo, é então que vemos que Boyle não está ali pra brincadeira.
Sempre fazendo referencia ao ser humano de uma forma genérica, temos aqui um protagonista que ao analisar o conteúdo do que carrega, descobre que está munido apenas de supérfluos. Ao passar das horas, Aron vai criando consciência de seu pequeno tamanho relativo ao mundo, auxiliado pela câmera alta que exerce um peso ainda maior ao tom sufocante que o longa alcança, aprofundando ainda mais a inesgotável discussão de Homem X Natureza.
James Franco engrandece o filme com sua atuação eloqüente, transmitindo com toda sua expressividade as mudanças de postura e ao mesmo tempo a resistência quase sobre-humana do personagem. Mesmo com algumas falas desnecessárias e alguns momentos que quebram o tom proposto pelo filme (no caso, questão de roteiro), Franco se mostra capaz de encarar o desafio que de longe é um dos maiores para qualquer ator: o de ter a responsabilidade de atuar sozinho.
A medida que a natureza começa a incorporar a presença de Aron em seu ambiente, com a morte chegando cada vez mais perto, seja o olhando de cima em seu vôo matinal, ou subindo pelo seu corpo em forma de grandes formigas, o longa vai adentrando em outra discussão sobre a psicologia humana: A fragilidade do Homem e sua relação com a Morte. A força desses momentos são o que mais tem de riqueza no longa. “Morrer é como ver uma festa preso do lado de fora” insinua a câmera-poética de Boyle com passagens oníricas memoráveis.
“127 Horas” é a arte crua, exposta em uma bandeja de pedra artesanal, uma reflexão sobre o papel do ser humano no mundo pela sua própria visão. Cheio de comédia involuntária e humor negro, é um filme que pula entre o positivo e o negativo a cada minuto, deixando apenas claro no desfecho que é uma simples e bela celebração a vida.
Nota: 5 ESTRELAS!


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