Cisne Negro – Por Klaus Hasten.
“Cisne Negro”, novo filme de Darren Aronofsky, fala sobre a preparação de uma bailarina para fazer o papel principal na famosa dança do “Lago dos Cisnes”. Ao assistir a película e adentrar as diversas camadas de significados da obra, o espectador percebe que não está assistindo a mais um filme, está vendo a mais pura arte, raridade nos multiplexes atuais.
O projeto foi abraçado pela Fox Searchlight, braço da Fox que se foca na produção de belíssimos filmes independentes como “Pequena Miss Sunshine”, “Quem quer ser um milionário” e “(500) Dias com Ela”, mantém o nível da tradição da produtora de fazer bons filmes. Darren Aronofsky, após ter tido seu “O Lutador” indicado ao Oscar de Melhor Filme em 2009, chega agora com um filme mais denso e maduro, sendo indicado ao mesmo prêmio que seu ‘irmão mais velho’.
Natalie Portman vive Nina, uma bailarina que fora criada com o intenso incentivo da mãe, uma artista fracassada que espelha sua vida na filha, e dá seu suor e sangue para atingir a perfeição. Nina enxerga aos poucos sua vida metódica ir desmoronando a medida que tem o desafio de enfrentar a árdua tarefa de representar nos palcos tanto o Cisne Branco, metáfora do lado bom e inocente existente dentro do ser humano, quanto o Cisne Negro
O Cisne Negro, destaque e titulo da obra, é o lado inexistente nas características exteriores da personagem, um lado que vai sendo puxado pelo diretor do espetáculo vivido por Vincent Cassel, que tem com esse objetivo dar mais naturalidade a personagem do cisne. A situação fica insustentável com a chegada de Lily (Mila Kunis), a personagem sem dúvidas mais ambígua da história, que causa dúvida e insegurança na já conturbada Nina.
Em meio a passagens oníricas e propositalmente abertas ao ponto de gerar discussões ao público sobre os aspectos psicológicos da personagem de Portman, a trama acompanha sua protagonista em literalmente todos seus 108 minutos, obrigando o espectador a sentir a história como sentiu sua “heroína”, que tem seu trágico destino já traçado desde a estonteante introdução. A direção aqui é pesada, sufocante, valorizando seus atores com excesso de closes com objetivo ainda maior de dar mais gravidade a já alucinante trama.
A câmera persegue Nina por todos os cantos, sendo sua sombra quando está andando em direção a algo, seu reflexo quando a mesma se olha no espelho ou um olhar curioso nas seqüências longas, sem cortes excessivos, mais um atributo pra valorizar a pérola da atuação marcante de Natalie Portman. As cores frias dão ainda mais seriedade a película, deixando os poucos momentos coloridos da história naqueles que se passam no interior da personagem, que se exterioriza em mil metáforas: Quarto, camarim, maquiagem e a própria Lily, que não deixa de ser um reflexo de Nina, que não cansa de sabotar a si mesma em prol da sua arte.
Assim como um espetáculo de Balé, “Cisne Negro” é bem dividido entre seus atos, valoriza bem seus movimentos, suas cores, e tem uma das trilhas mais harmônicas dos últimos tempos. E enfim, quando se fecham as cortinas, e as luzes vão se apagando, é possível sentir uma sensação pesada, uma dificuldade de se levantar, que só um filme tão especial quanto “Cisne Negro” causa.
5 ESTRELAS


1 Comments:
O filme causa mesmo, minha reação foi tão tensa quanto a sua. Não dá vontade de dar uma palavra depois do filme. Portman é uma grande promessa pra esse Oscar.
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