sábado, fevereiro 05, 2011

O Discurso do Rei - Por Klaus Hasten.




Se em outro filme recente, “O Cisne Negro”, a arte influencia na vida, “O Discurso do Rei”, um filme de época baseado em fatos reais, prova que a vida não só influencia a arte, mas a deixa cada vez mais palpável.
      Tom Hooper, diretor conhecido por retratar nos cinemas e na televisão histórias reais, mais especificamente envolvendo a História britânica, nos trás um filme ímpar em sua filmografia, que tem o um “quê” de refrescante em um estilo perigoso de fazer filmes.
      Trazendo Colin Firth como o Rei George VI, Hooper coloca em cena a época das Grandes Guerras na Europa, uma época onde o poder da palavra era decisivo, principalmente vinda dos grandes lideres. Invés dos habituais filmes históricos quase documentais, com fatos seguindo mais fatos, sem alma, secos, “O Discurso do Rei” trás uma história mais humanas e pessoais, com um personagem tão interessante que quase parece inventado.
      Mas como, um filme que se passa na Inglaterra dos anos 30, focando a família real, pode ser tão interessante? A resposta está no FOCO! O roteiro aqui não se limita ao falar sobre uma guerra ou sobre um evento histórico, o filme se trata de um ser humano, um ser humano com problemas psicológicos que são exteriorizados fisicamente, com a gagueira do Rei George VI, que se trás propositais risos em diversos momentos da trama, é uma forma de surpreender o espectador mais tarde com a profundidade que esta deficiência exerce na narrativa.
      Com a ajuda de sua esposa (a excelente Helena Bonham Carter) George, ou “Bertie”, é obrigado a passar pela inortodoxa terapia de fala  de Lionel Logue (Geoffrey Rush), um ator fracassado que ganha a vida ajudando pessoas com seus problemas de comunicação. É ao entrar na sala de Logue que George, o duque e futuro rei, se torna “Bertie”, o garoto cuja infância mal vivida e traumatizante na monarquia britânica tirou seu poder de fala, sua habilidade de se relacionar e sua própria auto-estima.
      O filme patina com uma fluidez incrível em seus 118 minutos. A direção de Hooper aqui é leve e tranqüila, mas sem cair na inocência e no puro ato de contar uma história. A câmera consegue ser companheira dos personagens, aproximando o espectador da história, auxiliando no excelente timing de comédia e mostrando uma visão peculiar e inexplorada da Realeza.
      Colin Firth se adapta perfeitamente ao papel do Rei Gago, com os movimentos certos e equilibrados para convencer e ao mesmo tempo não exagerar. Mesmo com tanta habilidade de atuação de Firth, o destaque nessa área aqui é de Geoffrey Rush, com um personagem extremamente interessante e excêntrico, interpretado com imensa naturalidade pelo ator.
      Indicado a doze Oscars no ano de 2011, “O Discurso do Rei” prova que a arte de fazer filmes não está tão desgastada como parecia e que é possível se surpreender com um filme de roupagem antiga e cansativa. Sem grandes pretensões e com uma forma acessível de dirigir, Tom Hooper nos brinda com um filme tocante e leve, o equilíbrio estável entre a beleza da sétima arte e o bom entretenimento.

4 Estrelas

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

5 Estrelas ? Serio ?
Acho que a atuação da Natalie Portman valem as 5 estrelas mas para o filme em geral minha nota seria 4.

sáb. fev. 05, 04:19:00 PM 2011  

Postar um comentário

<< Home