Na Teia de Ananse (Peça) - Por Klaus Hasten.
Apostando em um formato pouco convencional e inortodoxo de monólogo, o diretor Rafael Moraes trás para o público teatral baiano a peça “Na Teia de Ananse”. “Quem é Ananse?” Ananse é o fio condutor das belas histórias africanas tratadas com profundidade pelo diretor e sua atriz Tânia Soares.
O roteiro bem escrito pelo próprio diretor, com suas histórias bem escolhidas e denso pela própria natureza intrínseca a elas, é muito bem escrito, mas não teria a beleza que tem se não tivesse sido interpretado por Tânia Soares. A atriz entrega ao público uma atuação bonita pela sua simplicidade e harmonia, porém não menos profunda, atingindo o visceral.
Apoiado por um jogo de iluminações inspirado, que exterioriza o intimo dos personagens interpretados por Tânia, as mudanças entre tantas pessoas dentro da atriz é de fato o que mais impressiona, atingindo um nível bi, tri, tetrapolar. São pequenas mudanças sutis nas feições e voz da atriz, o que evita a “caricatura” demasiada, sendo assim só em momentos que realmente peçam tais artifícios, onde a comédia atinge seu mais alto nível.
A trilha sonora feita cuidadosamente por Amadeu Alves se incorpora com fluidez e naturalidade na alma da peça, deixando-a com um bom fechamento entre seus elementos. Assim como Ananse, a peça de Rafael Moraes e Tânia Soares cumpre seu papel, com toda sua beleza e encanto, espalha sabedoria e conhecimento pela terra, começando por Salvador. Essa turma vai longe.
A peça fica de sexta a domingo, até 01/05 no Espaço Cultural Barroquinha.


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