Batman - O Cavaleiro das Trevas

Desde a cena entre Batman e Gordon no final de “Batman Begins”, com a carta de baralho na mão foi criada uma expectativa a respeito de uma “possível” continuação. Quem seria o ator escolhido pra ocupar o lugar que outrora colocou o Coringa de Jack Nicholson como um dos vilões mais memoráveis da história? Não demorou pra vermos narizes torcidos com a escolha de um novato de apenas 28 anos pra assumir tal responsabilidade, pelo menos até o primeiro trailer...
A Publicidade pesada, sempre em cima do vilão e suas citações que já nasceram clássicas, tornou a produção e a franquia de Christopher Nolan na mais realista adaptação de HQ. Se no precursor vimos a origem do personagem, a formação de um universo “novo”e com regras próprias, neste temos o desmoronamento de tudo aquilo que foi construído, a reestruturação de alguns conceitos e a quebra de muitas regras. O fator Coringa entra em jogo justamente como a metáfora que rege o seu nome, entrando subitamente nesse jogo de gato e rato em plena Gotham City.
O Antagonismo entre Batman e Coringa é muito mais profundo do que a relação herói/vilão. Eles se completam! Pra cada Batman no mundo, existe um Coringa, como Yin-Yang, ele é uma reação estrondosa pras ações do Batman. Uma linha Tênue separa a psique de ambos, tendo Batman sua suposta “estabilidade mental” baseado no seu “esfíncter moral” e focalizando todos seus demônios na defesa de Gotham, sem perceber que assim está salvando a si mesmo.
Já o “Palhaço do Crime”, produto de uma realidade diferente à do “Príncipe de Gotham”, tem como fuga de sua mente doentia, esse personagem cheio de teatralidade e nenhum senso ético e moral, completamente destruídos por um trauma que deixou cicatrizes na face e na alma (cujas origens são tão distorcidas que alteram de acordo com o sentimento e a reação que ele quer provocar). Absolutamente tudo que motiva o Coringa são as sensações, o desejo cego de uma criança de apertar o botão apenas pra ver as conseqüências do seu ato... É mais que uma experiência, é um extinto.
O Grande protagonista do filme, não é nem o Batman, nem o Coringa. O ser humano é centralizado de forma tão ampla e explorado em todo seu potencial principalmente no caso do novo promotor público: Harvey Dent. A epopéia trágica que envolve sua vida é uma história à parte, e merecia um maior destaque. Um personagem tão rico, sem apelar para o lado “bonzinho” e mostrando o lado (ou a face) de senso de justiça desestruturado pela frustração, a impotência de um sistema jurídico correto contra o crime organizado. O mesmo jogo com regras diferentes.
Uma orquestra de sons, risadas e explosões, coordenada pela força da natureza que alcança até o prédio mais alto de Gotham. Mesmo assim quebrou certas tradições, deixou certos padrões de lado e foi pelo mal caminho da tecnologia exagerada (fator que enterrou a antiga franquia).Tais erros foram despercebidos diante da interpretação da mente demoníaca do psicopata que enxerga a beleza do seu trabalho a cada gota de sangue derramada, cada choro de desespero provocado. No final, o único e verdadeiro objetivo do Coringa... É se divertir. Nada disso poderia ser feito sem o trabalho de Heath Ledger, que teve como único defeito, deixar aquele gostinho de “quero mais”.
Nota: 9,0
