THE TORCH

terça-feira, setembro 18, 2007

Eu os Declaro Marido e Larry – By Klaus Hasten.


Naturalmente nessa época do ano, começam a surgir aquelas comédias que trocam a criatividade por algumas risadas forçadas. Adam Sandler, conhecido no ramo, aproveita essa onda pra jogar um ou dois filmes que todo mundo assiste, mas poucos gostam.
Depois do sucesso anterior “Click”,agora ele decidiu investir em um assunto que apesar de muitas risadas, causa muitos problemas.O tema homossexualidade, reverenciado pelos comediantes da era “Saturday Night Live”, além de polêmico nunca foi respeitada nessa mídia, tendo seu ultimo exemplo sério como o “Segredo de Brockback Mountain” de Ang Lee.
Apesar das contradições, o filme consegue em alguns momentos manter ruma relação respeitosa como tema, fazendo alguns espectadores mais sérios pararem para pensar e ver que a homossexualidade vai além da risada. Uma ótima lição,principalmente para nós,brasileiros que sempre usamos o assunto como forma de menosprezar os diferentes, nos mantendo em uma posição “superiora”.
Adam Sandler, dono da produtora do filme e por coincidência protagonista da trama, tem em seu personagem Chuck, exatamente como o espelho do seu ego. Um bombeiro famoso e galanteador que usa seu uniforme como estereotipo para ser bem sucedido com as mulheres. Já Larry, seu amigo é exatamente o contrário (mais uma forma de destacar Sandler na trama) tendo em comum apenas a amizade antiga e a profissão perigosa.
Após se dar conta dos riscos que corre diariamente, Larry para vencer a burocracia do governo estado-unidense e prover seu seguro de vida aos seus filhos em caso de morte, decide se casar com Chuck pra enfim ter seus direitos. Mesmo com tudo feito, eles percebem que para evitar fraudes como essa, o governo começa a investigar cada passo deles, tornando o casamento cada vez mais “real”.
A cada minuto que passa é mais perceptível os direitos homossexuais inseridos no roteiro (algo realmente impressionante devida a fonte) mostrando as lutas e os preconceitos que surgiram até os direitos de hoje em dia e evidenciando o ponto de vista de cada camada social a respeito do assunto. A delicadeza de como é abordado o assunto não é muito ortodoxa com cenas de alto tom depreciativo e preconceituoso.
Ao final do filme você percebe que não foi uma perda de tempo. Apesar de toneladas de filmagens desperdiçadas com cenas não só desperdiçadas, mas totalmente dispensáveis, vale a pena conferir o filme que com todas as idéias politicamente corretas (e incorretas),mostra que Adam Sandler ainda tem muito o que aprender.

Nota: 7,0

Transformers - By Klaus Hasten.


Em um ano de tantas expectativas frustradas e esperanças arrasadas por produções tão ricas, mas ao mesmo tempo tão pobres, Transformers, novo filme do diretor Michael Bay, é um colírio para nossos olhos. Uma atmosfera nova alcança os cinemas e seus ávidos “consumidores de idéias” cansados das besteiras requentadas que nos servem de mau gosto.
Se o que você espera são carrinhos se transformando em robôs-caixotes e lutando entre si na melhor (ou pior) forma “Power-Rangers”, devastando cidades e deixando um rastro de buracos no roteiro e na sua cabeça... Sorria, você está quase certo. Com uma excelente adaptação e uma ótima humanização da história, ainda faltam pontos que são preenchidos com frases de efeito, apelações visuais e coincidências inexplicáveis.
Sam Witwicky, jovem que como a maioria das pessoas vazias de sua idade só pensa em carros e mulheres e “esperto”, chega à conclusão que um item leva a outro, e começa a se abdicar de valores e lembranças do tataravô, vendendo-as em um lugar que diferente do filme, eu não vou fazer propaganda, e enfim comprando seu carro. No meio de tanto clichê e merchandising, ele e sua amiga Mikaela (no maior estilo das veneradas sessões da tarde dos anos 80) descobrem no Camaro recém-comprado, um robô alienígena.
Coincidência ou não (ponto normal nesse estilo de filme, mas explorado até a ultima gota), o tataravô de Sam tinha conexão com essa raça, por manter em seus pertences a localização do objeto que eles estão a procura, o AllSpark (ou caixa alienígena se preferirem) o artefato que foi capaz de destruir o planeta deles e que seria capaz de nos destruir. Com toda a confusão formada, eles ainda fazem o favor de nos apresentar duas “facções”, os Decepticons (o lado negro da força) e os Autobots (poderia ser mais clichê?), um contra o outro e no meio, de ousado, Sam Witwicky.
Como nem tudo está perdido, o filme explora o lado humano de uma forma cada vez mais forte. Para tirar a apelação, eles decidiram colocar em destaque as pessoas “de verdade” do filme, sem deixar de lados os robôs gigantes, tendo-se assim, um filme mais denso e melhor elaborado. As cenas no Oriente Médio, evidenciando o Exercito e tentando colocar aquele velho “patriotismo”, foram bem sucedidas, tanto pela qualidade dos efeitos especiais e os efeitos de atuação.
Filmes como esses com certeza fariam o maior sucesso há duas décadas atrás, onde qualquer novidade era bem vinda, mas como a humanidade, nosso lado critico também evolui, a ponto de rejeitar a mediocridade e de reverenciar idéias revolucionarias. Transformers é simplesmente composto de tecnologia, frases de efeito, mas é claro, muita criatividade.

Nota: 7,0