Harry Potter e a Ordem da Fênix – By Klaus Hasten.

Deveria existir uma lei, proibindo fãs de Harry Potter de escrever criticas sobre o filme. Há anos, os livros de J.K. conquistam cada vez mais adeptos de uma forma diferente. Os fãs não são comuns, eles (ou nós) não apenas lêem, mas decoram frase por frase, soletram os feitiços e se irritam por qualquer erro de um leigo. Sinto na péssima, mas ao mesmo tempo deliciosa tarefa de não apenas dar uma resenha, mas sim uma verdadeira critica, me esforçando ao máximo para ser imparcial e deixar meu fanatismo de lado.
“Como resumir 702 páginas em um longa de 150 minutos?” David Yates não só responde tal pergunta, ele cria um novo jeito de adaptar, casando a simplicidade e a riqueza de detalhes da autora, com o jeito cinematográfico que tanto necessitava a série. Sem cortes excepcionais, Yates nos delicia com os ingredientes que faltavam nos anteriores, as risadas ficaram menos forçadas, o mundo irreal ficou mais palpável e o toque sombrio que poucos encontravam nos precursores foi incontestavelmente muito bem aplicado.
O jeito de filmar e dirigir foram completamente reformulados, deixando de subestimar os críticos e fãs mais ávidos e nos entregando um trabalho digno de ser chamado o melhor e mais sério da até então quintologia. O roteiro, apesar de baseado em um dos mais monótonos livros, conseguiu não só exceder as expectativas, mas dar uma aula de adaptação para filmes do gênero que não estão se saindo muito bem (claro, sem a intenção de ofender os grupinhos infelizes e os heróis deprimidos).
A interpretação é um espetáculo à parte, com destaque para Luna Lovegood, uma das personagens mais complexas, metaforizada pelo seu patrono, o coelho (referindo-se obviamente à Alice no País das Maravilhas). Outra notável figura foi Imelda Stauton, no papel da Alto Inquisidora, Dolores Umbridge, que conseguiu passar o paradoxo sádico e doce da mais odiada personagem. Helena Boham Carter, a tão esperada Bella Lestrange apesar da diminuta participação, expressa toda a loucura da personagem em seu olhar, transformando-a na melhor interpretação da carreira da atriz.
Quem realmente falhou foi justamente a chave do filme, que ficou nas mãos de Michael Gambon com a que deveria ser “melhor batalha de todas”, travada entre seu personagem Alvo Dumbledore e Lord Voldemort, demontrando-se não apenas fraco na briga, mas principalmente na atuação, que é completamente ofuscada pela volta de Ralph Fiennes como você-sabe-quem.
A parte antagônica teve sua carga mais forte justamente no Ministério da Magia, uma referencia obrigatória a burocracia que prende e controla nossa vida, representada por Umbridge e o ministro Cornelius Fudge, que até então era apenas um enfeite na série. Nisso, nem um fã pode botar defeito, pois além de um contexto bem explicito, o formato tanto do ministério, quanto dos burocratas que o compõe estão muito bem caracterizados.
Com um jeito tão firme de filmar, até alguns erros mais fortes e buracos na história foram despercebidos. Os efeitos especiais, a maquiagem de todo bom filme não foi apenas isso, mas também um elemento importantíssimo e indispensável em um filme que no abre o apetite para ler o próximo livro e fecha muito bem a temporada de filmes de verão.
Nota: 8,0


