THE TORCH

terça-feira, julho 10, 2007

Harry Potter e a Ordem da Fênix – By Klaus Hasten.


Deveria existir uma lei, proibindo fãs de Harry Potter de escrever criticas sobre o filme. Há anos, os livros de J.K. conquistam cada vez mais adeptos de uma forma diferente. Os fãs não são comuns, eles (ou nós) não apenas lêem, mas decoram frase por frase, soletram os feitiços e se irritam por qualquer erro de um leigo. Sinto na péssima, mas ao mesmo tempo deliciosa tarefa de não apenas dar uma resenha, mas sim uma verdadeira critica, me esforçando ao máximo para ser imparcial e deixar meu fanatismo de lado.
“Como resumir 702 páginas em um longa de 150 minutos?” David Yates não só responde tal pergunta, ele cria um novo jeito de adaptar, casando a simplicidade e a riqueza de detalhes da autora, com o jeito cinematográfico que tanto necessitava a série. Sem cortes excepcionais, Yates nos delicia com os ingredientes que faltavam nos anteriores, as risadas ficaram menos forçadas, o mundo irreal ficou mais palpável e o toque sombrio que poucos encontravam nos precursores foi incontestavelmente muito bem aplicado.
O jeito de filmar e dirigir foram completamente reformulados, deixando de subestimar os críticos e fãs mais ávidos e nos entregando um trabalho digno de ser chamado o melhor e mais sério da até então quintologia. O roteiro, apesar de baseado em um dos mais monótonos livros, conseguiu não só exceder as expectativas, mas dar uma aula de adaptação para filmes do gênero que não estão se saindo muito bem (claro, sem a intenção de ofender os grupinhos infelizes e os heróis deprimidos).
A interpretação é um espetáculo à parte, com destaque para Luna Lovegood, uma das personagens mais complexas, metaforizada pelo seu patrono, o coelho (referindo-se obviamente à Alice no País das Maravilhas). Outra notável figura foi Imelda Stauton, no papel da Alto Inquisidora, Dolores Umbridge, que conseguiu passar o paradoxo sádico e doce da mais odiada personagem. Helena Boham Carter, a tão esperada Bella Lestrange apesar da diminuta participação, expressa toda a loucura da personagem em seu olhar, transformando-a na melhor interpretação da carreira da atriz.
Quem realmente falhou foi justamente a chave do filme, que ficou nas mãos de Michael Gambon com a que deveria ser “melhor batalha de todas”, travada entre seu personagem Alvo Dumbledore e Lord Voldemort, demontrando-se não apenas fraco na briga, mas principalmente na atuação, que é completamente ofuscada pela volta de Ralph Fiennes como você-sabe-quem.
A parte antagônica teve sua carga mais forte justamente no Ministério da Magia, uma referencia obrigatória a burocracia que prende e controla nossa vida, representada por Umbridge e o ministro Cornelius Fudge, que até então era apenas um enfeite na série. Nisso, nem um fã pode botar defeito, pois além de um contexto bem explicito, o formato tanto do ministério, quanto dos burocratas que o compõe estão muito bem caracterizados.
Com um jeito tão firme de filmar, até alguns erros mais fortes e buracos na história foram despercebidos. Os efeitos especiais, a maquiagem de todo bom filme não foi apenas isso, mas também um elemento importantíssimo e indispensável em um filme que no abre o apetite para ler o próximo livro e fecha muito bem a temporada de filmes de verão.

Nota: 8,0

sábado, julho 07, 2007

Ratatouille - By Klaus Hasten.


Ratatouille, novo filme da velha parceria Disney Pixar, é um daqueles filmes que você não espera muito quando senta na poltrona, talvez por ser mentalidade do brasileiro, subestimar filmes de animação. Na saída, a conclusão que se tira é de como é sublime a vida animada, como é fácil e ao mesmo tempo difícil criticar uma obra como essa. Ratatouille não é mais um filme, é um marco, uma lição para vida e para os filmes que estão se desgastando para roubar a cena, mas sem muito retorno.
A ousadia da Disney de apostar todas suas fichas do ano em um ratinho cozinheiro foi uma loucura nunca antes feita. A aceitação completa poderia ser substituída em um grande fracasso, superado pela criatividade de Brad Bird (Responsável por Os Incríveis também). Filmes como esses dão esperanças, mostram que nem tudo está perdido e que a Disney não é mais um bando de acionistas, e sim uma fabrica de idéias.
A mensagem do filme, não só subliminar mais em destaque o tempo todo, é desbancar a teoria da superioridade e que todos são capazes do que querem. A união de Remy, um ratinho com um talento singular e ótimo gosto para comida e boa vida, com o sonho de virar um grande chef e um desastrado cozinheiro trás uma mistura com sabor dos velhos tempos, onde o cinema não só divertia, mas encantava.
Se cada um sozinho é um marginalizado da sociedade, os dois junto, o homem-rato e o rato-homem tornam-se um só ser unificado, claramente metaforizado na forma de cozinhar, de viver. O choque dos dois mundos, o mundo dos excluídos e o dos esnobes franceses foi a profecia do que gerará o mundo de hoje, o epílogo de nossa sociedade excluidora e preconceituosa com a elite e os que preferem (ou não tem escolha de) se diferenciar.
Ratatouille, representação do sonho dos protagonistas em um prato sofisticado, é a filosofia de vida dos personagens, são os meios que os levam até seus objetivos. Um prato sofisticado, mas ao mesmo tempo simples (o que basicamente é a formula do filme) com cenas de ação impecáveis e uma carga dramática seletiva em alguns filmes da Disney (todos tentam, poucos conseguem).
Uma critica bem estruturada foi exatamente para nós, críticos, que vivemos facilmente (e confortavelmente) de apontar os erros dos outros, nos deliciando a cada frase de efeito que envolve um defeito alheio ou até mesmo bajulando alguém que realmente faz algo na vida. Num mundo como esses, os críticos são a malevolência da sociedade, resumidas em longos textos em jornais ou olhares de desprezo gerados pelos ditos superiores.
Sublime e devidamente temperado, é uma boa pedida pelos esfomeados por novidades, cansados por grupinhos uniformizados ou heróis deprimidos. Simplicidade e irreverência se pareiam num longa que se tão bom parece um curta, pecando apenas pelo leve gostinho de quero mais.

Nota: 8,5

sexta-feira, julho 06, 2007

Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado – By Klaus Hasten.


Sabe aqueles episódios de seriados animados de heróis que nós vemos na televisão? É mais ou menos o formato do novo filme do Quarteto Fantástico, que teve sua divulgação basicamente “apelando” pro lado do Surfista Prateado. Com toda a fase da apresentação dos personagens e a origem do grupo e seus respectivos poderes de lado, temos um filme mais leve e realista, tentando dar uma explicação cientifica para todos os fenômenos ocorridos.
Quando foi revelado, o personagem “convidado” para essa continuação, foi uma felicidade tanto para comunidade cinematográfica quanto os fãs dos quadrinhos, pela primeira vez um diretor (Tim Story) tinha ousado colocar caminhos diferentes de personagens da cultura pop Marvel em um filme só. O Surfista Prateado, uma das figuras mais filosóficas dos anos 60, a representação da liberdade e livre arbítrio na sociedade daquela época foi resumido a um “vestígio” no meio de um longa com tanta coisa que nada conseguiu ficar em evidência, nem o próprio Surfista.
Pontos como o casamento de Reed e Sue e até a volta do Dr. Destino, foram tramas que por falta de adjetivo melhor foram completamente dispensáveis no roteiro. Com a vontade de uma vida normal, Reed cogita se livrar dessa vida e criar uma família, ponto forte se já não tivesse sido abordado no primeiro e uma “pequena” e desnecessária volta do Dr. Destino, que com certeza já deu o que tinha que dar no primeiro e foi apenas um objeto que ofuscou a já manchada imagem do “principal do filme”.
Com o Surfista Prateado no filme, já estava implícito para boa parte dos fãs o vilão do filme. O tão esperado Galactus, antagonista mor do Quarteto e patrão do Surfista finalmente daria as caras. Caras? Acho que a grande decepção do filme foi exatamente essa, Galactus, devorador de mundos que vai a terra prenunciado pelo Surfista para “devora-la” foi apenas uma fumaça no filme (literalmente). Tanta enrolação pra uma fumaça gigante, é exatamente a sensação que te dá ao sair da sala com a silhueta do gigante rosa que deveríamos ver na cabeça.
Já o lado profundo ficou justamente pro palhaço do primeiro. Com o casamento da irmã e a possibilidade de dissolver a equipe, Johnny se vê perdido e literalmente com perda de identidade. Encontrando o Surfista, Johnny acaba trocando de poderes com os outros membros, não só causando problemas como aumentando sua dificuldade de supremacia.
Como um sonho ruim, Quarteto Fantástico 2 acabou rápido, e deixou a sensação de roteiro mal feito e expectativa quebrada. Cada vez mais vemos Tim Story apenas como uma criança brincando com seus bonecos, sem saber o valor que cada um representa. Com tanta apelação, como o Surfista, o Fantasticarro e a “imagem de Galactus”, com certeza gerou muita decepção, só concluindo a derrota das continuações do ano.

Nota: 6,0