THE TORCH

domingo, agosto 15, 2010

Os Mercenários - By Klaus Hasten.



      Que os Anos 80 são definitivamente um sinônimo de uma época onde a criatividade transbordava nos diversos meios culturais, todos hão de convir. Buscando trazer um pouco daquele entusiasmo dos seus antigos filmes de ação, Sylvester Stallone (roteiro e direção) reúne todos os atores (e clichês) que marcaram época, para dar ao público o “filme de ação da década”.
      Com uma trama bem rasa, logo na primeira seqüência já somos apresentados ao grupo de mercenários do titulo. Sem qualquer cerimônia, os personagens de Stallone, Jason Statham, Jet Li, Terry Crews e Doug Lundgren chegam na tela com inúmeras lutas, tiros e explosões desnecessárias para a história em si, mas indispensáveis para o expectador inquieto e impaciente, os “turistas” das salas de cinemas.
      Basicamente a sinopse se resume ao grupo de homens que são contratados para derrubar uma ditadura latina. O resto é acessório, são 105 minutos para chegar de A até B, com algumas poucas cenas memoráveis pelo seu nível de astúcia e ironia, outras poucas conseguem mostrar uma certa dramaticidade aliada a uma boa atuação. Porém todos esses pequenos triunfos estão atrelados a seqüências de erros e muita ação cansativa.
      A proposta do filme, assim como muitos do gênero, é explorar um pouco aqueles sentimentos instintivos de dentro dos homens. Com o rolar da fita se torna perceptível que tal proposta se perde, tornando a violência mais um atrativo exagerado entre tantos acontecimentos desregrados e sem cabimento.
      Ao assistir “Os Mercenários” a idéia que se tem é de que todo e qualquer elemento é construído com uma fita adesiva, cada fator é um suplique para o público não tirar os olhos da tela. É tanto apelo que o espectador se pega no meio da sessão tão desnorteado que esquece o propósito do longa e sua história, que aqui, funciona como um quebra-cabeça de roteiros já usados. Stallone criou seu próprio “monstro Frankstein”.
      Apesar dos exageros e da má qualidade de alguns efeitos, as cenas de ação são bem conduzidas pelo inexperiente diretor, uma surpresa no meio das cinzas do que seria um filme de potencial. Os atores oscilam, ora por má atuação, ora por serem mal conduzidos, mas deixo o destaque para Mickey Rourke e Jason Statham, este que deixa um contraste grande em qualidade de atuação nas cenas contracenadas com o fraco Stallone, que só se salva nas cenas mais intensas.
      No fim, temos um filme “homenagem”. Uma espécie de passagem de tocha entre a velha geração de Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger e Bruce Willis para a geração dominada por Statham (mais conhecido por “Carga Explosiva"). Mas mesmo assim, a qualidade do filme se torna uma referencia ao próprio titulo original, The Expendables (Os Dispensáveis), não deixando o longa ir alem daquilo que já era esperado, um evento totalmente dispensável.

2 Estrelas

sábado, agosto 07, 2010

A Origem - By Klaus Hasten


     Ultimamente, nas salas de cinema, temos visto diversos filmes baseados em livros, histórias em quadrinhos e até jogos. “A Origem” não se encaixa em nenhuma dessas categorias, justamente por ser um filme vindo diretamente do subconsciente do ser humano, mas precisamente do subconsciente do diretor Christopher Nolan, que nos brinda com sua criatividade em um filme que antes de tudo, fala dos sentimentos mais profundos das pessoas.
     A trama do filme, cuja complexidade afasta aqueles passageiros de cinema que buscam por simples entretenimento, fala sobre um homem, ou melhor, um grupo de pessoas, que aprenderam a se infiltrar na mente humana, capazes de encontrar os segredos mais obscuros ou até mesmo de plantar idéias no canto mais profundo do subconsciente.
      De uma forma bem orgânica, Nolan vai aos poucos plantando na mente do espectador a idéia do sistema de penetração de sonhos, até o ponto que fique extremamente plausível tal mecanismo. O fato de não ser necessário perda de tempo com possíveis explicações pseudo-científicas para tal fenômeno acrescenta pontos a trama, deixando-a mais leve e colocando em evidência que o propósito do longa (simplesmente catalogado como “ficção científica”) é ir além do que é exposto, com metáforas felizes e inteligentes.
      Dom Cobb (Leonardo Dicaprio) é o “ladrão de sonhos”, contratado por um empresário para infiltrar na mente de um rico herdeiro uma idéia. Ao desenrolar da fita, percebemos que a cada camada de sonho passada pela equipe de Dom, podemos também descascar os próprios personagens, revelando aos poucos a essência de cada um. Suas qualidades, defeitos e principalmente, seus traumas, são armas ou obstáculos essenciais para o funcionamento do trabalho, cada fator, claro, disfarçados em uma roupagem representativa.
      A proposta da trama vai mais além, é afundar o espectador em uma experiência extra-sensorial, é emergir em cada um o conflito entre sonho e realidade. A direção que mescla com extrema naturalidade as cenas de ação intensas com o drama, a essência do roteiro, é o que torna tão palpável a experiência de assistir “A Origem”. Quando tais qualidades são associadas com a trilha forte e pesada de Hans Zimmer, fica difícil não se pegar no meio do filme tão envolvido a ponto de se esquecer que tudo se passa em uma sessão de cinema.
      Tantos elementos gráficos, tantos personagens e sub-tramas atrapalham a percepção da grande maioria dos espectadores de notar a simplicidade do filme. Com o tempo, a própria identificação com os dilemas dos personagens nos ensina a chave da interpretação do roteiro de Nolan. A obsessão aqui é mais do que um elemento, é uma barreira, personificada pela bela Marion Cotillard (Piaf – Um hino ao amor) trazendo aos sonhos de Cobb toda a angustia de um passado difícil.
      Ao término do filme, quando as luzes se acendem e os créditos aparecem, é difícil distinguir os objetos a nossa volta, as pessoas, a sala de cinema, tudo parece irreal após um mergulho tão intenso na mente de grandes personagens, e de uma certa forma, na nossa própria mente. E é Christopher Nolan que realiza tal “grande truque”, nos deixando perplexos com sua forma mágica de fazer cinema.

5 Estrelas