Os Mercenários - By Klaus Hasten.
Que os Anos 80 são definitivamente um sinônimo de uma época onde a criatividade transbordava nos diversos meios culturais, todos hão de convir. Buscando trazer um pouco daquele entusiasmo dos seus antigos filmes de ação, Sylvester Stallone (roteiro e direção) reúne todos os atores (e clichês) que marcaram época, para dar ao público o “filme de ação da década”.
Com uma trama bem rasa, logo na primeira seqüência já somos apresentados ao grupo de mercenários do titulo. Sem qualquer cerimônia, os personagens de Stallone, Jason Statham, Jet Li, Terry Crews e Doug Lundgren chegam na tela com inúmeras lutas, tiros e explosões desnecessárias para a história em si, mas indispensáveis para o expectador inquieto e impaciente, os “turistas” das salas de cinemas.
Basicamente a sinopse se resume ao grupo de homens que são contratados para derrubar uma ditadura latina. O resto é acessório, são 105 minutos para chegar de A até B, com algumas poucas cenas memoráveis pelo seu nível de astúcia e ironia, outras poucas conseguem mostrar uma certa dramaticidade aliada a uma boa atuação. Porém todos esses pequenos triunfos estão atrelados a seqüências de erros e muita ação cansativa.
A proposta do filme, assim como muitos do gênero, é explorar um pouco aqueles sentimentos instintivos de dentro dos homens. Com o rolar da fita se torna perceptível que tal proposta se perde, tornando a violência mais um atrativo exagerado entre tantos acontecimentos desregrados e sem cabimento.
Ao assistir “Os Mercenários” a idéia que se tem é de que todo e qualquer elemento é construído com uma fita adesiva, cada fator é um suplique para o público não tirar os olhos da tela. É tanto apelo que o espectador se pega no meio da sessão tão desnorteado que esquece o propósito do longa e sua história, que aqui, funciona como um quebra-cabeça de roteiros já usados. Stallone criou seu próprio “monstro Frankstein”.
Apesar dos exageros e da má qualidade de alguns efeitos, as cenas de ação são bem conduzidas pelo inexperiente diretor, uma surpresa no meio das cinzas do que seria um filme de potencial. Os atores oscilam, ora por má atuação, ora por serem mal conduzidos, mas deixo o destaque para Mickey Rourke e Jason Statham, este que deixa um contraste grande em qualidade de atuação nas cenas contracenadas com o fraco Stallone, que só se salva nas cenas mais intensas.
No fim, temos um filme “homenagem”. Uma espécie de passagem de tocha entre a velha geração de Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger e Bruce Willis para a geração dominada por Statham (mais conhecido por “Carga Explosiva"). Mas mesmo assim, a qualidade do filme se torna uma referencia ao próprio titulo original, The Expendables (Os Dispensáveis), não deixando o longa ir alem daquilo que já era esperado, um evento totalmente dispensável.
2 Estrelas


