THE TORCH

sábado, maio 01, 2010

Homem de Ferro 2 - By Klaus Hasten.


Que filmes baseados em heróis de HQs já se tornaram dignos de um próprio subgênero, enraizado em diversos ramos do cinema como drama, ação, comédia, já não é novidade. Tratado com um pouco de descaso no começo, com seus direitos sendo jogados aos quatro ventos, agora podemos observar um amadurecer da parte dos criadores, principalmente da Marvel, que ao criar seu próprio estúdio conseguiu trazer o melhor das suas histórias de heróis para as telas.
Para tal responsabilidade de iniciar essa leva de filmes, com histórias mais livres e heróis interligados, foi escolhido o então inexperiente diretor Jon Favreau, que colaborou com a criação de um estilo novo de se falar de heróis, levando a sério o nome carregado no título e das décadas de publicação, no caso, do Homem de Ferro (2008). Com um sucesso logo de cara, principalmente pela ajuda do excelente Robert Downey Jr. na frente do elenco, as apostas foram cada vez mais aumentadas, com a liberação da produção de quatro filmes seguindo o padrão Marvel de contar histórias.
A trama do filme dá seqüência a história do milionário Tony Stark, homem que devotou grande parte da sua vida para indústria bélica até se deparar com um conflito moral após ser vitima do seu próprio veneno, alavancando assim o surgimento de um “super” herói contemporâneo. Fruto da ligação entre ciência e consciência, como a própria franquia em si, encontramos um Tony tão seguro quanto antes, ou até mais, deixando sempre transparecer seu egocentrismo e sua necessidade de chamar atenção.
O Homem de Ferro agora se depara com múltiplos vilões, sendo o maior deles sua própria fragilidade diante de certas situações, diante do futuro nebuloso e das difíceis decisões que a vida impõe a um homem que no fundo é tão rígido e resistente quanto papel. É uma história sobre legado, sobre como o passado influencia no nosso presente e como devemos saber deixar a melhor mensagem possível para o futuro, nos livrando de fantasmas e demônios que possam acabar com toda a construção de uma vida inteira.
Chicote Negro, interpretado pelo grande Mickey Rourke, tem o fardo de representar esse fantasma, jurando vingança a Stark e a tudo que ele representou de ruim para sua família. Um russo forte e consciente do que quer, porém fraco no contexto da trama, deixando a desejar pelo pouco brilho que apenas consegue ter com os diálogos inteligentes travados com Robert Downey Jr, duas fênices que voltaram das cinzas na própria vida real, o que dá um sabor a mais de sentimento nas cenas.
É a partir desse conflito que é quebrado o paradigma de “intocável” associado à imagem do Homem de Ferro, facilitando o caminho para o vilão mais sofisticado, Justin Hammer (Sam Rockwell “reprisando” seu papel em “As Panteras”). Apesar da inteligência, não tem muito mais sucesso do que Rourke na trama que tende a focar mais no próprio protagonista, não dando espaço suficiente para os vilões que mesmo com todo potencial, caem na superficialidade. Caso similar é o do personagem de Don Chadle, substituto inesperado de Terrence Howard no papel do Coronel Rhodes, que não convence com sua fraca atuação, deixando o Máquina de Combate como uma mera ferramenta de produzir risadas, sendo sucedida umas duas vezes no máximo.
Apesar dessas deficiências, o roteiro extrai o melhor de Robert Downey Jr no personagem que mais sintetiza seu próprio ser excêntrico por natureza, transformando o personagem Tony Stark no cinema em mais que um divertido canastrão, mas também em um homem profundo com alma de garoto. Vale destacar o crescimento de Pepper Potts (Gwyneth Paltrow) que evoluiu em termos de atuação e participação, estabelecendo uma orgânica sintonia com Downey Jr, embalados pela direção de altíssima qualidade de Favreau, mostrando a todos que pode dirigir Tony Stark tão bem quanto o faz na trama no papel do divertido motorista, Happy.
Recheado de referências que vão de Walt Disney até o Nick Fury de Samuel L. Jackson (com sua já conhecida “Iniciativa Vingadores”), o filme mantém o ritmo interessante do seu precursor com sua narrativa sagaz e estimulante, deixando até os problemas mais escandalosos de roteiro obsoletos, diante das promessas que o futuro reserva pra essa grande empresa que é a Marvel, responsável pela segurança do planeta e de toda uma geração de mentes brilhantes.

Nota: 8,5