THE TORCH

sexta-feira, junho 15, 2007

Não por Acaso - By Klaus Hasten.


A vida é formada de momentos, cada um extremamente indispensável, encaixando todos, temos o destino. Esse é o tema central do primeiro filme de Phillipe Barcinski, cujo objetivo é metaforizado em símbolos banais do nosso cotidiano. Cada elemento do filme é minuciosamente colocado para formar um roteiro bom e sem exagero de detalhes desnecessários, como grande parte dos filmes nacionais.
Em um grande palco, como São Paulo, dois indivíduos tão distintos na sua forma de vida, mas complexamente parecidos em seus atos nos mostram uma noção do conformismo da vida do brasileiro. Um é obcecado por dados específicos e por uma vida objetiva, focada em observar a vida dos outros enquanto a própria não sai do lugar. Outro não consegue se desprender ao legado do pai, uma vida simples e estável, apesar de insegura em relação aos seus sonhos.
As vidas desses dois personagens se misturam, mesmo sem certo contato direto, a partir de um acidente, que mudam de formas diferentes as vidas deles. É então que entra o argumento do longa, o “destino”, simbolizado como uma mesa de sinuca, cada detalhe analisado antes de uma jogada, cada jogada interferindo em uma vida inteira. É com tal mentalidade garantida que essas duas pessoas começam a agir, viver largar os obstáculos e barreiras que previamente os transformaram em meros observadores do giro do planeta.
Ênio (Leonardo Medeiros), grande admirador do fluxo do trânsito, espectador da vida dos outros e conformista do sistema hipócrita que rege com marionetes a sociedade, de uma hora pra outra tem que mudar sua vida tranqüila para se deparar despreparadamente com uma filha, acontecimento fruto do acidente que matou a mãe dela e a namorada de Pedro (Rodrigo Santoro) amedrontado pelas mudanças e vitima de seus próprios valores, obcecado por substituir seu amor falecido para voltar a sua insignificante existência.
Pessoas que não mudam de nada o mundo são protagonistas da trama, que essa sim muda tudo. O destino de um filme despreparado que pode vir a ser subjugado pelos menos providos de senso critico e deliciado pelos interpretes da sociedade é incerto, mas com certeza, não será facilmente esquecido.

Nota: 7,5

domingo, junho 03, 2007

Piratas do Caribe 3 - By Klaus Hasten.


Esqueça tudo que aprendeu sobre piratas durante sua vida. A trilogia do diretor Gore Verbinski e produzida pelo velho Jerry Bruckheimer que recebeu seu ponto final no dia 25 do mês passado (pois é não se iludam com outra seqüência) mudou não só a história de piratas que ouvíamos, mas também,o jeito blockbuster de fazer cinema.
Tudo começou com a idéia da Disney de fazer um filme inspirado em uma das atrações de seus parques e com a união de um elenco intocável e um roteiro fantástico formou-se a grande surpresa de 2003. De longe, chamou atenção o papel de Johnny Deep como Jack Sparrow que agradou ao publico com um lado nada convencional de protagonista.
Logo com o sucesso, a fome dos executivos da Disney trouxe um novo desafio a Verbinski, “Queremos uma seqüência, uma não, duas”. O espanto foi geral, dois filmes ao mesmo tempo poderia afetar muito a história, mas foi aceito. O Segundo, com subtítulo de “Baú da Morte” foi recordes de bilheteria e surpreendentemente além de agradar a grande maioria trouxe no seu final um gancho meio complicado, resumindo: Piratas do Caribe 2 não teve final, coisa que eleva muitos filmes e o distanciou do seu precursor.
Como um golpe de marketing, seu final levou (levou não, obrigou) todos a assistir o terceiro “No fim do Mundo”, mas não por ter gostado do segundo, e sim por mera curiosidade, elevando a exigência do espectador que foi mais do que subestimada em um filme que se distancia da grandeza do original e apenas serve como um final postiço pra seu anterior preenchendo todos os buracos do navio que por pouco não afundou.
Quando o filme começa só ficamos com aquela dúvida na cabeça “Como diabos será que veremos Jack de novo?”. Esse é o ponto alto do filme, invés de uma ponta colada no segundo, vemos uma atmosfera completamente diferente, uma apologia a tempos difíceis de ditaduras e guerras chegando até ao socialismo, representado por “Piratas Organizados” o que distorce o que vem sendo mostrado nos anteriores, traduzindo: não teve nada haver.
Entre todas as expectativas, tínhamos a de Chow-Yu-Fat, conhecido como filmes ótimos, a exemplo de “O Tigre e o Dragão”, convidado para viver o “grande” Capitão Sao Feung que acabou por se tornar um artifício pra não tirar o ânimo da trama, juntamente com a esperada aparição de Keith Richard, como o pai de Jack Sparrow, que nada acrescentou a trama, só mais uns minutos ao já longo tempo na sala de cinema.
Qual era a melhor atração do segundo? Davy Jones? Tia Dalma? O Kraken? Infelizmente tenho que aqui reportar que esses foram totalmente distorcidos dos seus originais papéis do segundo filme, deixando de serem espetáculos de criatividade para serem simples complementos para a verdadeira história. Sim, foram apenas peões no jogo da Companhia das Índias Orientais, representando o sistema que comanda a todos nós e que nos prende em correntes invisíveis, mas na representação nem tanto invisíveis.
Por fim, a conclusão é que até o Capitão Jack perdeu um pouco de seu tempero natural e a grande “revelação” do filme, foi a volta do capitão Barbossa que com certeza levantou o filme, se destacando no meio de pessoas tão dentro da trama mas tão perdidas, como Elizabeth (Keira) e Will (Bloom) e (quase) trouxe o clima do primeiro filme, que com certeza foi o melhor de todos.

Nota: 7,0