Bastardos Inglórios – By Klaus Hasten.

Se tem uma indústria que lucrou tanto (ou até mais) que a armamentista com a 2ª Guerra Mundial, é a do cinema. Nunca, em mais de sessenta anos, esgotou a capacidade de roteiristas de colocar no microondas alguma fagulha daquela grandiosa e mítica história para ganhar alguns trocados. E quando tudo parecia perdido, com tramas tão desgastadas, eis que surge o cabeçudinho que deu uma volta e revolucionou a forma de se fazer (e assistir) filmes nos anos 90, Quentin Tarantino.
Com seguimentos que foram analisados minuciosamente por vinte anos, desde que o renomado diretor/roteirista/ator era apenas um balconista de locadora, teceu sua trama mentalmente e nos trouxe hoje a síntese final da sua grande “obra-prima”. Difícil de agradar com seu estilo excêntrico e extravagante, seus filmes se encontram no limite entre genialidade e lixo, reciclado de anos de fascínio pelos grandes estilos de sua época e capaz de misturá-los com a harmonia sangrenta que é marca registrada de longas como Pulp Fiction e Kill Bill.
Desde o início calmo e sem pressa, percebemos o processo de amadurecimento tanto do diretor quanto do roteirista, investindo no seu dom de longos diálogos densos e deixando à vontade atores excelentes construírem seus personagens. E perceptível também a falta de comprometimento com a trama, o que soa pejorativo, mas acaba ajudando ao evitar explicações desnecessárias e assim deixando em evidência os personagens e suas reações em cada momento. Ele não quer explicar porque tal personagem fez de tal forma sendo óbvio que teria sucesso de outro jeito, seu objetivo é explicar suas conseqüências e passar pequenas mensagens importantes para o desenvolvimento “profundo” da película.
Seja com a saga de vingança da loira Shosana Dreyfuss (familiar) ou os constantes jogos psicológicos travados entre espiões, assassinos, soldados com os “maléficos” nazistas, é um filme sobre guerras internas e localizadas, sendo a II Grande Guerra apenas o ambiente que explica as motivações dos humanos que vão sendo descascados à medida que se desenrola a fita. Seja em francês, alemão ou “americano”, os diálogos, que já nascem clássicos, são os verdadeiros protagonistas, com o destaque para personagens como Hans Landa (Christopher Halz) e o Ten. Aldo Raines (Brad Pitt com seu impagável sotaque canastrão do Tenesse).
Em seu filme com um humor negro mais presente, Tarantino nos brinda com um universo paralelo bem próximo ao nosso, onde o tom de faroeste embala os tiros nazistas e o som de escalpos sendo cortados. Uma terra onde nos enoja o fascínio de um Nazista matando soldados inimigos, mas nos faz rir, em uma poltrona de cinema, das mortes grotescas dos antigos algozes, cumprindo o objetivo de Tarantino (anti-maniqueísta) de cortar nossa hipocrisia e revelar de uma vez, nosso lado maquiavélico.
“O Bar fica no globo”
Nota: 9,5
