THE TORCH

segunda-feira, maio 14, 2007

Homem-Aranha 3 - By Yuri Teixeira


Novo filme de Homem-Aranha e mais um recorde de bilheteria batido pelo mesmo. As emoções são grandes neste filme. E por que não seriam? Finalmente vimos o fruto do relacionamento de Mary Jane e Peter Parker, o confronto “Peter & Harry”, Homem-Aranha com a roupa negra e, talvez o mais esperado por todos, Venom.

Alguns fãs (eu, principalmente) ficaram decepcionados com Venom, pois ele não é exatamente como na história original. O ator Topher Grace, (o Eric Formam em “That 70 show”) não se parece nem um pouco com Eddie Brock, mas há um motivo para colocarem alguém como ele na história. O motivo é também a mensagem do filme, que mostra como uma pessoa boa, pode se corromper por causa de poder, ambição e vingança.

Peter não enfrenta somente vilões neste filme, mas também dilemas morais que todos nós enfrentamos na vida. Ele também sentiu como poder, ambição e vingança (como citei acima) podem mudar uma pessoa drasticamente. Que estes sentimentos “negros” (ironicamente representados pela roupa negra, uma jogada genial do mestre Stan Lee) não afetam somente a pessoa que os têm, mas também todos que estão à sua volta.

Não importa se é o filme, o desenho animado ou até mesmo a história em quadrinhos, temos sempre que ter a seguinte frase, dita por Tio Ben, em mente: “Um grande poder trás grandes responsabilidades”. E em cada momento na história de Homem-Aranha, podemos ver como essa frase reflete na vida e nas ações de Peter Parker.

Somente uma cena me deixou bastante decepcionado, e cenas como essa podemos ver na maioria dos filmes feitos nos Estados Unidos, porém os produtores e diretores sempre são discretos quanto a isso, ou colocam em filmes de guerra (o que considero “aceitável”). Quando o Homem-Aranha vai lutar contra o Homem de Areia e Venom, aparece uma colossal bandeira dos Estados Unidos no fundo da tela, como se eles estivessem salvando a pátria. Se não fosse essa cena, Homem-Aranha 3 levaria uma nota maior.

Nota: 8,5

domingo, maio 13, 2007

Homem-Aranha 3 - By Klaus Hasten.


Franquias milionárias baseadas em idéias geniais de mestres da literatura e dos quadrinhos costumam começar muito bem e acabar perdendo suas essências. Sinto dizer que a série cinematográfica que Sam Raimi tirou das páginas de Stan Lee e cativou milhares de fãs não é uma exceção.
Quando compramos o ingresso e nos matamos pra conseguir um lugar razoável no meio de tantas pessoas ávidas para esquecer de seus problemas ao ouvir aquela musiquinha clássica que embala os créditos iniciais das aventuras do nosso amigo da vizinhança, mesmo sabendo ser uma adaptação com direito de mudar a sua história original, esperamos no mínimo uma consideração ao mestre Stan Lee e as suas idéias mais fortes.
As pessoas em geral viram muitos “erros” no filme, mas como podemos saber o que é erro ou o que é “liberdade de adaptação”? Será que devemos julgar o que não entendemos? Ao responder essas perguntas, percebi que estava certo e que entre erros e interpretações mal-feitas, Homem-Aranha 3 não agradou muito aos fãs e nem aos leigos.
“No que eu errei?” Essa é a pergunta que Sam Raimi deveria se fazer. Simples: é só fazer uma síntese dos outros filmes e saber onde começou o declínio. No primeiro temos a “Gênesis” do herói, o inicio da historia dele com um vilão memorável, juntos em uma historia séria e fiel até onde pode aos quadrinhos. No segundo Sam Raimi deve ter tirado seu terno e colocado os pés sobre a mesa, a história relaxa um pouco perdendo algumas amarras do primeiro e tendo mais liberdade pra variar e criar histórias desnecessárias a parte.
O terceiro exagera nos efeitos, o que é bom, mas tira o senso critico da maioria das pessoas, sem deixar em evidência o aglomerado de histórias e vilões desnecessários que não se encaixam e deixam o filme totalmente fora de foco. Apesar de tudo isso, podemos ver claramente a moral do filme, presente em todos da trilogia. O uniforme negro da simbionte evidência o lado negro de Peter que vai crescendo juntamente com seu ego mostrando o verdadeiro “vilão” do filme.
É isso mesmo, não tem pra homem-areia, Goblin Junior e nem pra Venom (que teve sua participação quase despercebida) o que atormentou mesmo Peter foi a simbionte que acabou “se apaixonando” por ele e o tornou algo diferente dos quadrinhos, que deveria ser mal e indiferente, mas não, foi uma criatura mais estranha, Raimi transformou Parker em um emo.
Esse produto mostrou (ou pelo menos deveria) mostrar pra Sam que ele deveria se preocupar mais com a qualidade, não com a quantidade e que os valores são os efeitos mais especiais que um filme deveria ter e principalmente que errar é humano, mas errar duas vezes é mutante, o que pessoas do ramo sabem muito bem.

Nota: 6,5

sexta-feira, maio 04, 2007

O Cheiro do Ralo - By Klaus Hasten.


O Cheiro do Ralo, filme dirigido por Heitor Dhalia e protagonizado por Selton Mello, é uma biografia do perfil do Brasileiro mesquinho e arrogante produzido pela sociedade individualista e seus valores capitalistas. O filme gira em torno de Lourenço, dono de uma loja de penhores, que faz de tudo pra lucrar à custa do desespero dos outros, sem se importar com seus sentimentos e emoções. Lourenço é simplesmente o retrato do ser humano pragmático e conformista que vive de sugar a vida dos outros.
Lourenço diz que não gosta de ninguém, mas será que não é do sujeito medíocre que ele se tornou que ele realmente não gosta? Querendo punir o mundo à sua volta pelos fatores que o levaram a virar o que hoje é. Resultado de tudo isso é o cheiro que exala do ralo do banheiro, aqui representando a maneira dele de viver e conviver com o seu cotidiano em busca de seu maior objetivo (aqui representado por um bunda).
Com todos esses problemas de relacionamentos com as pessoas e com seu próprio “ralo”, Lourenço percebe que suas soluções rápidas e imediatas não dariam certo e então passa a se humanizar. Esse processo de humanização do personagem é um dos fatores mais simbólicos do filme, com a tentativa da personagem de voltar as suas origens exibindo a todos, o olho de vidro do “pai” como um gesto bonito, criando para si uma imagem de pai que mudaria sua personalidade e preenchendo o vazio do pai que não conheceu, tampando de uma vez o ralo e extinguindo seu cheiro.
Com o tempo, Lourenço percebe que talvez não tenha sido uma idéia lucrativa pro seu negócio e faz de tudo pra recuperar a sua antiga atitude, “quebrando” metaforicamente todas as barreiras que prendiam o cheiro do seu ralo voltando ao inescrupuloso comprador de relíquias, relíquias que se prendiam histórias e preenchiam o vazio de sua vida monótona.
Um elenco maravilhoso de atores pouco conhecidos que ilustram e dão mais realidade ao filme encabeçado pelo sensacional Selton Mello, “o Cheiro do Ralo” é um conto assistido, uma narrativa viva que tira o foco do cinema nacional dos filmes “Globais” mostra uma linguagem seca e sem pompas pra mostrar de onde sai esse cheiro que exala no país todo.

Nota: 8,0